Um estudo sobre os efeitos das mudanças climáticas nos recursos hídricos do Brasil acende um alerta para o futuro da segurança energética e da produção agrícola no país. A pesquisa, intitulada “Impacto da Mudança Climática nos Recursos Hídricos do Brasil”, foi conduzida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em parceria com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e divulgada pelo jornal O Globo.
De acordo com o levantamento, a região Amazônica será a mais impactada, com uma redução de até 50% na vazão média dos rios até 2040. Em seguida aparece o Nordeste, onde a queda pode chegar a 40%. Nas demais regiões do país, a diminuição média estimada é de 10%, percentual que, mesmo menor, também representa impactos relevantes para diferentes setores.
Os pesquisadores atribuem a redução das vazões principalmente ao aumento das temperaturas, às mudanças no regime de chuvas e ao crescimento da evapotranspiração — processo em que a água do solo e da vegetação é transferida para a atmosfera, intensificado pelo calor. Com menos água disponível nos rios, os efeitos se espalham por diversas áreas da economia.
Um dos setores mais afetados é o elétrico. O estudo aponta que cerca de 90% da potência instalada e planejada das hidrelétricas brasileiras pode sofrer algum tipo de impacto, já que a geração de energia depende diretamente do volume de água que chega aos reservatórios. A redução das vazões médias afluentes compromete a capacidade de produção, aumentando a pressão sobre outras fontes de energia e elevando custos.
Além da energia, a agricultura também enfrenta riscos significativos. Segundo o levantamento citado por O Globo, as mudanças no padrão de chuvas podem afetar aproximadamente 10% do cultivo de arroz e até 90% do cultivo de sequeiro, modalidade agrícola que depende exclusivamente das chuvas, sem sistemas de irrigação. Esse cenário pode agravar a insegurança alimentar e reduzir a produtividade no campo.
Os dados reforçam a necessidade de planejamento e adaptação às mudanças climáticas, com investimentos em gestão dos recursos hídricos, diversificação da matriz energética e políticas públicas voltadas à agricultura resiliente. Especialistas alertam que, sem medidas concretas, os impactos tendem a se intensificar nas próximas décadas, afetando tanto o meio ambiente quanto a economia brasileira.
jornaldamazonia.com / Com informações da Agência Brasil







