Famílias vivem isoladas na Amazônia e sobrevivem da coleta de piaçaba

Sem acesso a serviços públicos básicos e com baixa renda

Famílias vivem há décadas isoladas no interior da Amazônia, sobrevivendo da coleta de piaçaba em condições extremas, com baixa renda e ausência de serviços públicos básicos.

O acesso às comunidades de piaçabeiros exige uma longa jornada por rios da região Norte. A partir de Manaus, o deslocamento até Barcelos, no interior do Amazonas, pode levar vários dias de navegação por áreas onde não há infraestrutura, assistência técnica ou fornecimento regular de energia.

Apesar de ter pouco mais de 25 mil habitantes, Barcelos ocupa uma área territorial equivalente à da Inglaterra e abriga extensas regiões onde o Estado praticamente não chega. É nesse território que estão os piaçabais, áreas de floresta onde famílias inteiras passam meses extraindo a fibra vegetal utilizada na fabricação de vassouras, escovas e utensílios vendidos em todo o Brasil.

O trabalho segue por rios como o Negro, Huaracá e Curuduri. Em acampamentos improvisados, homens, mulheres e crianças vivem isolados, cortando e transportando toras de piaçaba que podem pesar mais de 80 quilos. A jornada começa cedo e pode ultrapassar dez horas diárias de esforço físico intenso.

Mesmo com a dureza da atividade, a renda é baixa. Um casal relatou ter recebido cerca de R$ 7 mil após três meses de trabalho, mas mais da metade do valor foi consumida com alimentação e combustível adquiridos antecipadamente. Ao final, restaram pouco mais de R$ 2 mil, valor dividido entre dois trabalhadores e distribuído ao longo de meses.

O modelo de produção mantém um ciclo de dependência. Os trabalhadores recebem adiantamentos para comprar mantimentos e retornam à floresta endividados, sem possibilidade de negociação direta, fiscalização trabalhista ou acesso a alternativas de renda.

Nos piaçabais, não há energia elétrica, saneamento, postos de saúde ou escolas. A água é retirada diretamente do rio, e a iluminação depende de lanternas ou pequenos geradores. Situações de risco são frequentes, inclusive com crianças e recém-nascidos expostos a longas viagens e tempestades sem qualquer suporte médico.

A piaçaba extraída nessas condições percorre um longo caminho até os centros urbanos. Após o transporte fluvial até Barcelos, a fibra segue para beneficiamento e abastece o mercado nacional. O consumidor final raramente associa produtos comuns do dia a dia às condições extremas enfrentadas por quem os produz.

A realidade das famílias que vivem da piaçaba evidencia um Brasil pouco visível, marcado pelo isolamento geográfico e institucional e pela ausência de políticas públicas voltadas a essas comunidades.

jornaldamazonia.com / Com informações do clickpetroleoegas.com.br

Total
0
Shares
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Prev
Carnaval: MPRO e shopping de Porto Velho lançam campanha de combate à violência contra a mulher

Carnaval: MPRO e shopping de Porto Velho lançam campanha de combate à violência contra a mulher

A primeira atividade foi uma palestra para 150 atendentes de restaurantes

Next
Brasil encerra 2025 com economia fortalecida, recordes históricos e avanços sociais, destaca Lula em mensagem ao Congresso

Brasil encerra 2025 com economia fortalecida, recordes históricos e avanços sociais, destaca Lula em mensagem ao Congresso

Texto foi entregue ao Congresso Nacional, nesta segunda-feira

Total
0
Share