A terra indígena do Vale do Javari enfrenta ameaças do crime organizado, que impulsiona o garimpo, a caça e a pesca ilegais, além de ampliar a pressão sobre a floresta amazônica. A conclusão é de um estudo publicado em 28 de julho por pesquisadores do IPAM e outras instituições científicas. Localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, o território abriga a maior concentração de povos indígenas isolados do mundo.
A pesquisa revela que o desmatamento no entorno da área cresce desde 2008 e está associado ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e à grilagem de terras. Em 2022, a devastação em um raio de 200 quilômetros foi 187 vezes maior do que a registrada dentro da terra indígena.
Os pesquisadores alertam que a proteção do Vale do Javari exige cooperação internacional, fiscalização permanente e o fortalecimento do monitoramento realizado pelos próprios indígenas. O estudo também destaca que o uso irregular do Cadastro Ambiental Rural (CAR) tem favorecido a ocupação ilegal de florestas públicas na região.
Com cerca de 8,54 milhões de hectares, o Vale do Javari abriga povos como Marubo, Matis, Kanamari, Kulina e Mayoruna, além de pelo menos 14 grupos em isolamento voluntário. Os autores defendem a aceleração da demarcação de terras indígenas e a destinação de florestas públicas como medidas essenciais para conter o avanço do crime organizado e preservar um dos territórios mais importantes da Amazônia.
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