Cortes em benefícios sociais podem reduzir renda e agravar a pobreza no interior, aponta estudo

O estudo foi realizado pela FEA-USP
Foto: © Banco Mundial

A estagnação ou os cortes nos benefícios sociais e previdenciários podem reduzir a renda, enfraquecer o comércio e agravar a pobreza em milhares de municípios brasileiros. A conclusão é de um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

Segundo o levantamento, aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) têm peso expressivo nas economias do interior, onde as transferências públicas representam uma parcela maior da renda das famílias do que nos grandes centros urbanos.

O estudo estima que, sem ganhos reais nos benefícios, a renda agregada dos municípios fora das regiões metropolitanas poderia ficar entre 6,8% e 10,8% abaixo do cenário de valorização. Isso porque famílias de baixa renda destinam grande parte dos recursos à compra de alimentos, medicamentos e outros itens essenciais, movimentando diretamente o comércio local.

Além disso, a redução do consumo pode afetar empresas, empregos e a arrecadação municipal, atingindo inclusive quem não recebe benefícios públicos.

Estagnação pode ampliar a pobreza

As simulações também indicam que a ausência de ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025 poderia ter levado cerca de 2,7 milhões de pessoas à pobreza em municípios fora das regiões metropolitanas. Desse total, aproximadamente 2,4 milhões entrariam em situação de extrema pobreza.

Os impactos seriam ainda mais intensos em estados como Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí. No Amazonas, as perdas de renda também poderiam alcançar níveis expressivos, conforme os cenários analisados.

O estudo reforça, portanto, a importância da valorização dos benefícios sociais e previdenciários para proteger o poder de compra das famílias, reduzir desigualdades e sustentar a economia dos pequenos municípios. Afinal, além de garantir renda e dignidade, esses recursos ajudam a manter o comércio e os serviços locais em funcionamento.

jornaldamazonia.com

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