Dez anos após a então presidente Dilma Rousseff defender a necessidade de desenvolver tecnologias para “estocar vento”, a China avança justamente nessa direção. O país asiático ampliou sua capacidade de armazenamento de energia proveniente de fontes eólica e solar, consolidando uma estratégia voltada à estabilidade do sistema elétrico.
Segundo dados divulgados por centros de pesquisa chineses, o país já alcança capacidade equivalente a cerca de 50 gigawatts em sistemas que permitem armazenar energia gerada por fontes intermitentes. O volume representa aproximadamente um quarto da capacidade instalada total brasileira.
Engenheiros do Instituto de Engenharia Termofísica da China anunciaram a conclusão bem-sucedida de testes finais de um sistema de armazenamento por ar comprimido. A tecnologia permite estocar até 100 megawatts de energia excedente. O método funciona comprimindo ar em tanques subterrâneos quando há excesso de geração — como em períodos de vento forte ou sol intenso — e liberando-o posteriormente para acionar turbinas e produzir eletricidade quando a oferta cai.
O sistema utiliza um expansor de alta potência e múltiplas fases, considerado componente-chave para aumentar eficiência e viabilidade comercial. A equipe afirma que a solução apresenta vantagens como armazenamento em larga escala, custo relativamente baixo e menor impacto ambiental.
Projetos-piloto anteriores, com capacidade de 1,5 MW e 10 MW, foram desenvolvidos em 2013 e 2016. Agora, segundo os pesquisadores, a tecnologia alcançou maturidade suficiente para inserção no mercado.
O debate reacende discussões sobre o papel do Brasil no setor. Embora o país seja referência global em matriz renovável, especialmente em energia eólica e hidrelétrica, ainda enfrenta desafios de armazenamento e segurança energética. A intermitência das fontes renováveis continua sendo um dos principais obstáculos para garantir fornecimento estável sem depender fortemente de reservatórios ou termelétricas.
Especialistas avaliam que investir em armazenamento em larga escala pode ser decisivo para transformar excedentes de energia limpa em vantagem estratégica de longo prazo.
*Com informações de Anhangamirim e Petronoticias
Fonte: Anhangamirim / Petronoticias
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