Se números contassem sempre a mesma história, Lula teria pouco a temer na corrida eleitoral de outubro. Em seu terceiro mandato e prestes a tentar o quarto, o presidente se beneficia novamente de um fenômeno social marcante.
Após um longo período de estagnação, a classe C, formada por pessoas com renda entre 2.526 e 10.885 reais, retomou seu crescimento para atingir tamanho recorde na composição da população brasileira.
Mais do que um dado estatístico, o movimento traduz um processo de mobilidade social, pelo qual milhões de brasileiros subiram degraus na escala de renda. De 2022 a 2024, segundo cálculos feitos pelo economista Marcelo Neri, pesquisador do Centro de Políticas Sociais da FGV Social, 17 milhões de brasileiros migraram para faixas de rendimento superiores.
Com isso, a participação da classe C — que havia estacionado em 56% em 2014 — chegou a 61% em 2024, o maior número já registrado. Em dados absolutos, são 130 milhões de pessoas nesse estrato intermediário.
A expansão recente não apenas trouxe novos grupos para o estrato intermediário, como consolidou uma geração que já nasceu nele, mais escolarizada, hiperconectada e menos conformada com a baixa qualidade de vida. Nesse ambiente, expectativas e valores foram sendo recalibrados.
A cultura do “fazer por conta própria” ganhou força, e a reconfiguração religiosa — com o aumento da porção evangélica — passou a influenciar aspirações e visões de mundo. O resultado é uma classe C mais exigente.
Fonte: Veja Mais
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