Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram uma estratégia que pode antecipar o diagnóstico da hanseníase no Brasil. O método combina exame de sangue, questionário clínico e inteligência artificial para identificar casos ainda nas fases iniciais, quando os sintomas são pouco perceptíveis.
O estudo, conduzido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, utilizou amostras coletadas durante a pandemia de covid-19. A pesquisa foi publicada na revista BMC Infectious Diseases.
A nova abordagem inclui um teste que detecta anticorpos contra o antígeno Mce1A, considerado mais sensível que o método tradicional. Ao analisar diferentes tipos de anticorpos, o exame consegue indicar exposição ao bacilo e infecção ativa de forma mais precoce.
Na aplicação prática, 224 pessoas participaram do estudo e 12 novos casos da doença foram identificados — muitos sem sintomas evidentes. Quando combinado com inteligência artificial, o método alcançou 100% de sensibilidade na triagem dos casos suspeitos.
Os pesquisadores destacam que o exame não substitui a avaliação médica, mas pode orientar quais pacientes precisam de encaminhamento especializado. A expectativa é ampliar a validação da tecnologia para uso no SUS.
A hanseníase segue como um problema de saúde pública no país. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 200 mil casos são registrados anualmente no mundo, e o Brasil ocupa a segunda posição global em número de diagnósticos.
jornaldamazonia.com / Com informações da Agência Fapesp





