Pesquisadores brasileiros publicaram o maior estudo já realizado no mundo sobre as sequelas do vírus zika na infância. A pesquisa reuniu dados de 843 crianças com microcefalia, nascidas entre 2015 e 2018, em diferentes regiões do país, a partir de informações de 12 centros de pesquisa que integram o Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika.
Publicado em dezembro de 2025 na revista científica PLOS Global Public Health, o estudo permitiu definir com mais precisão o espectro e a gravidade da microcefalia associada ao zika, diferenciando-a de outras causas da condição. Segundo a pesquisadora Maria Elizabeth Lopes Moreira, do IFF/Fiocruz, trata-se de uma microcefalia com características próprias, marcada pelo colapso do cérebro após um desenvolvimento inicial aparentemente normal.
A análise dos dados primários mostrou que a síndrome congênita do zika apresenta diferentes graus de gravidade. Entre os principais achados estão microcefalia ao nascer em mais de 70% dos casos, alterações neurológicas e oftalmológicas frequentes, alta incidência de epilepsia e importantes alterações detectadas por exames de neuroimagem. Cerca de 30% das crianças acompanhadas já morreram.
Os pesquisadores destacam que não há tratamento específico para o zika e reforçam a importância da prevenção durante a gravidez e da estimulação precoce das crianças expostas ao vírus, mesmo quando não apresentam microcefalia ao nascer. O estudo também aponta dificuldades de acesso a cuidados contínuos pelo Sistema Único de Saúde e defende o desenvolvimento de uma vacina para mulheres em idade fértil.
O acompanhamento das crianças seguirá nos próximos anos, com foco nos impactos do zika no desenvolvimento e na vida escolar, especialmente da geração nascida durante a epidemia no Brasil.
Fonte: jornaldamazonia.com
Foto: Ceferp







