Com a abertura do prazo para a declaração do Imposto de Renda, aumenta não apenas a busca por informações sobre regras, prazos e restituições, mas também o número de golpes que utilizam o nome da Receita Federal para enganar contribuintes.
Mensagens com links falsos, avisos de pendências no CPF, cobranças indevidas e promessas de regularização imediata por SMS, WhatsApp ou e-mail estão entre as fraudes mais frequentes neste período.
O presidente da Associação de Defesa dos Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP) e especialista em golpes cibernéticos, Francisco Gomes Junior, alerta que o contribuinte deve desconfiar de qualquer contato com tom de urgência e solicitação de clique imediato.
Segundo ele, durante o período do Imposto de Renda, criminosos exploram a pressa e o medo das pessoas. Mensagens que indicam supostas pendências, multas ou bloqueios levam muitos a agir por impulso. A orientação é clara: nunca clicar em links recebidos por SMS, WhatsApp ou e-mail em nome da Receita Federal.
A própria Receita reforça que pendências e situações fiscais devem ser consultadas exclusivamente pelos canais oficiais, como o portal institucional e o e-CAC. Comunicações com prazos curtos, ameaças de bloqueio ou pedidos de pagamento imediato são fortes indícios de fraude.
Cuidados na declaração
Além do alerta sobre golpes, especialistas também destacam a importância da organização na hora de declarar. Neste ano, o prazo de entrega do IRPF vai de 17 de março a 31 de maio, e o programa para preenchimento já está disponível.
A Receita tem incentivado o uso da declaração pré-preenchida, que reúne automaticamente dados fornecidos por fontes pagadoras, bancos e prestadores de serviço. Embora o recurso ajude a reduzir erros, a conferência das informações continua sendo responsabilidade do contribuinte.
Entre os equívocos mais comuns estão a omissão de rendimentos, erros no lançamento de despesas médicas, informações incorretas sobre dependentes e divergências em dados bancários.
Uso da IA e confiança nos canais oficiais
Para o diretor de cibersegurança da Tivit, Thiago Tanaka, o desafio vai além da proteção individual. Segundo ele, é necessário garantir que toda a jornada digital do cidadão seja segura e confiável, envolvendo processos de identificação, autenticação, proteção de dados e resposta a incidentes.
Dados da Serasa Experian mostram a dimensão do problema: no início de 2026, o Brasil registrou uma tentativa de fraude financeira a cada 2,2 segundos, e mais da metade da população relata ter sido alvo de golpes digitais no último ano.
De acordo com Tanaka, o avanço da inteligência artificial tem tornado os golpes ainda mais sofisticados, com comunicações falsas cada vez mais semelhantes às oficiais, o que aumenta o risco de erro por parte do cidadão e reforça a necessidade de atenção redobrada.
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