Obesidade atinge 25% da população brasileira e acende alerta para epidemia de doenças crônicas

Em menos de 20 anos já atinge 1 em cada 4 adultos

Dados recentes do Ministério da Saúde apontam que a obesidade no Brasil mais que dobrou entre 2006 e 2024. Segundo o levantamento do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), quase 25% dos brasileiros são obesos, enquanto mais de 60% estão acima do peso.

Especialistas classificam o cenário como uma epidemia de grandes proporções e alertam para o impacto crescente sobre o sistema de saúde.

Doenças associadas e sobrecarga do sistema

A obesidade está diretamente ligada ao aumento de casos de hipertensão, infarto, AVC, diabetes tipo 2 e diversos tipos de câncer. O avanço da condição tende a elevar custos e pressionar ainda mais o atendimento público e privado.

Dados do Vigitel também mostram mudanças no padrão de atividade física. Caminhadas e deslocamentos a pé caíram de 17% em 2009 para 11,3% em 2024. Por outro lado, houve aumento de 42% na prática de atividade física moderada no tempo livre.

Especialistas destacam que hábitos simples — como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, sono adequado e controle do estresse — podem reduzir significativamente o risco. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser indicado apenas com acompanhamento médico.

Obesidade e diabetes caminham juntas

A obesidade é fator determinante para resistência à insulina, mecanismo central do diabetes tipo 2. O crescimento de 118% nos índices da doença em menos de duas décadas indica também aumento expressivo do risco de complicações cardiovasculares.

Entidades como a ADJ Diabetes Brasil defendem que a obesidade seja tratada como doença crônica e prioridade de saúde pública. Especialistas ressaltam que o enfrentamento do problema envolve também políticas de segurança alimentar, urbanismo e acesso a espaços seguros para prática de exercícios.

Impacto hormonal e metabólico

A obesidade afeta múltiplos eixos hormonais, incluindo alterações na leptina e na grelina, hormônios ligados à fome e saciedade. Esse desequilíbrio dificulta a perda de peso e reforça o ciclo metabólico da doença.

O tratamento exige abordagem contínua e multiprofissional, com foco na saúde metabólica e não apenas na redução do peso corporal.

Relação com o câncer

O excesso de gordura corporal está associado a pelo menos 13 tipos de câncer. O tecido adiposo produz substâncias inflamatórias e altera o equilíbrio hormonal, criando um ambiente mais favorável ao desenvolvimento e progressão de tumores.

Além de aumentar o risco, a obesidade pode comprometer a resposta ao tratamento oncológico, reforçando a necessidade de prevenção e diagnóstico precoce.

Diante dos números, especialistas alertam: mais do que uma questão estética, a obesidade é um desafio estrutural de saúde pública que exige ações integradas e urgentes.

jornaldamazonia.com

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