Só 30% dos brasileiros acreditam em um futuro melhor, revela barômetro e acende alerta no país

Segundo o estudo, temores econômicos atingiram patamares mais altos no país

Incertezas econômicas tornam o brasileiro pessimista quanto ao futuro. Apenas um terço dos brasileiros (30%) acredita que a próxima geração terá uma situação de vida melhor, como aponta o Edelman Trust Barometer 2026.

Segundo o estudo, temores econômicos atingiram patamares mais altos no País do que globalmente. No Brasil, 74% dos empregados temem perder o emprego diante de uma possível recessão, enquanto 71% estão preocupados com os efeitos negativos que conflitos comerciais e tarifários internacionais possam ter sobre as suas empresas. Os porcentuais da média global são, respectivamente, 67% e 66%.

As razões apontadas pelo estudo para essa onda de pessimismo incluem as tensões geopolíticas, a escalada do custo de vida e as intensas transformações e disrupções tecnológicas, que fazem com que as pessoas busquem segurança e previsibilidade se voltando para si mesmas.

A diretora-geral da Edelman Brasil, Ana Julião, relembra que o indíce de confiança no futuro no Brasil já chegou a 70%, mas que nos últimos anos os número estão caindo.

“Nós sempre fomos um País que acreditou que no final tudo vai dar certo”, afirma.

Segundo a executiva, essa é uma tendência que também tem sido observada em muitos países, principalmente na América Latina, Europa e Estados Unidos, onde os níveis de confiança no futuro ainda são muito menores do que os registrados no Brasil.

Crise da “insularidade”

A principal consequência dessa falta de esperança generalizada é o avanço de um fenômeno que o estudo classifica como “insularidade” — definida como a relutância ou hesitação em confiar em pessoas que são diferentes de você. Isso engloba a dificuldade de confiar em indivíduos que possuam valores fundamentais, culturas, origens, crenças políticas ou visões sobre problemas sociais que divergem dos seus.

Hoje, sete em cada dez brasileiros (72%) possuem esse tipo de mentalidade. Na prática, essa barreira afeta o progresso econômico e o dia a dia corporativo: 41% dos empregados brasileiros afirmam que prefeririam mudar de departamento a ter que reportar a um gestor com valores diferentes dos seus, e 28% dizem que se esforçariam menos em um projeto liderado por alguém com crenças políticas divergentes.

Esse contexto, segundo o estudo, faz com que o indivíduo relutante passa a confiar apenas no seu círculo íntimo e local, como seus familiares, vizinhos e o seu próprio chefe, ao mesmo tempo em que desconfia de grandes instituições, figuras de autoridade e empresas estrangeiras.

Temor de falsas narrativas e de IA

O ambiente de extrema desconfiança também se volta para o cenário internacional e a mídia. O levantamento aponta uma preocupação extrema com a interferência externa: quase 7 a cada 10 brasileiros temem que outros países estejam espalhando propositalmente informações falsas e fake news na mídia nacional.

O objetivo desses ataques de desinformação, na percepção da população, seria inflamar as divisões internas do País.

As inovações tecnológicas, muitas vezes vistas como motor de desenvolvimento, geram temores que atingem os brasileiros de forma desproporcional à sua renda.

No Brasil, o medo de “ficar para trás” e não obter nenhum benefício real com a Inteligência Artificial Generativa afeta majoritariamente as classes mais baixas.

Segundo a pesquisa, 54% das pessoas de renda baixa e 44% de renda média compartilham dessa preocupação, contra apenas 31% da população de renda alta.

Mediação do governo

Para tentar reverter o quadro de divisões, o relatório introduz a necessidade de uma mediação de confiança, que consiste em atitudes e práticas focadas em facilitar o diálogo e a cooperação entre grupos opostos, identificando interesses em comum ao invés de tentar mudar o outro.

Na visão dos brasileiros, o governo é a instituição que tem a maior obrigação de atuar como esse mediador na sociedade (com 75% a 79% dos entrevistados apontando essa responsabilidade).

Contudo, a entrega dessa instituição é frustrante: apenas cerca de 30% da população considera que o governo desempenha bem esse papel de redução de conflitos, gerando um déficit de expectativa versus realidade.

Diante dessa lacuna deixada pelo poder público, a figura do “meu empregador” e das empresas emergem como as instituições mais bem posicionadas para assumir o protagonismo, promover treinamentos de resolução de conflitos e construir pontes de confiança na sociedade.

Sobre a pesquisa

O Edelman Trust Barometer 2026 é a 26ª edição da tradicional sondagem online que analisa a confiança nas instituições (governo, empresas, ONGs e mídia). A pesquisa foi conduzida globalmente no período entre 23 de outubro e 18 de novembro de 2025.

O estudo contou com uma amostra de mais de 33.900 entrevistados, distribuídos em 28 países. Em cada um dos países pesquisados, incluindo o Brasil, a quantidade de entrevistados variou entre 1.200 e 1.501 pessoas, com dados que são metodologicamente representativos da população geral em termos de idade, gênero e região.

jornaldamazonia.com

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