A violência letal e o racismo no Brasil e suas consequências atingem de forma desigual crianças e adolescentes, especialmente a população negra, indígena e quilombola. Entre 2021 e 2023, 15.101 pessoas de 0 a 19 anos foram vítimas de mortes violentas intencionais no país. Desse total, 82,9% eram negras. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, o percentual chegou a 83,6%, segundo UNICEF e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Além disso, o racismo aparece desde a primeira infância. Levantamento da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal citado pelo UNICEF mostra que 54% dos responsáveis por crianças de até 6 anos relataram episódios de racismo em creches ou pré-escolas.
As desigualdades também atingem direitos básicos. Em 2024, apenas 79,1% dos adolescentes indígenas de 15 a 17 anos estavam matriculados no ensino médio, contra 86,9% dos brancos. No acesso à água, 25% das crianças e adolescentes indígenas não tinham abastecimento adequado, enquanto o índice entre brancos era de 2,2%. Entre quilombolas, 90% enfrentavam algum tipo de insegurança relacionada à água ou ao esgotamento sanitário.
Na Amazônia, esse cenário ganha contornos próprios devido à diversidade dos territórios e à presença de povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais. Por isso, o enfrentamento da violência letal e do racismo no Brasil e suas consequências exige políticas públicas que considerem as diferenças territoriais e garantam proteção, educação, saúde, água e saneamento para crianças e adolescentes.
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