A criação de abelhas nativas sem ferrão (meliponicultura) e o manejo de açaizais nativos podem aumentar a produção de açaí e diversificar a renda de comunidades ribeirinhas da Amazônia. A integração das duas atividades foi tema de um curso realizado em outubro, na comunidade Serraria Pequena, em Afuá, no Pará, com apoio do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).
A formação reuniu agroextrativistas, técnicos e pesquisadores para compartilhar conhecimentos sobre polinização, produção sustentável e conservação da biodiversidade. As atividades incluíram aulas teóricas e práticas, além da instalação de uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) que integra o manejo de açaizais à meliponicultura.
As abelhas sem ferrão contribuem para a polinização dos açaizeiros, favorecendo a formação de frutos. Além disso, a criação desses insetos permite produzir mel, própolis e cera, ampliando as fontes de renda das famílias. Entre as possibilidades está o chamado “mel de açaí”.
Segundo o pesquisador do IPAM Anderson Firmino, a combinação das práticas pode elevar a produção e gerar renda adicional com a comercialização dos produtos das abelhas.
A iniciativa também alertou para os riscos da “açaização”, processo marcado pela predominância do açaí em áreas de várzea e pela redução da diversidade vegetal. Essa mudança pode comprometer os polinizadores, empobrecer o solo e afetar o equilíbrio dos ecossistemas.
Realizado pela Embrapa, o curso integra o Projeto Incógnitos, com apoio da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas (ATAIC) e do IPAM. A formação também contou com produtores da Reserva Extrativista Cajari, no Amapá, que participaram com apoio financeiro do Grupo Energisa.
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