Pesquisas evidenciam diferentes efeitos do desmatamento na dinâmica da leishmaniose e da doença de Chagas na Amazônia. Estudos realizados em Cruzeiro do Sul, no Acre, mostram que a perda de floresta e o tempo de ocupação das áreas modificam a presença e o comportamento dos insetos transmissores dessas doenças.
Os trabalhos foram liderados pelo biólogo Gabriel Laporta, do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), e publicados nas revistas Parasites & Vectors e PLOS One. Os pesquisadores analisaram 20 pontos de um assentamento rural em 2022 e 2024, considerando paisagens que variavam de áreas preservadas a locais totalmente desmatados.
No caso da leishmaniose, áreas desmatadas há mais tempo apresentaram maior abundância de mosquitos-palha, principalmente da espécie Nyssomyia antunesi. A pesquisa indica que o histórico de ocupação da terra pode ser mais importante do que a cobertura florestal atual para explicar a presença desses vetores.
Já na doença de Chagas, o desmatamento aumentou a probabilidade de encontrar barbeiros infectados por Trypanosoma cruzi em palmeiras próximas às moradias. Assim, mesmo sem o inseto se estabelecer dentro das casas, a proximidade com o ciclo silvestre pode elevar o risco de contato com pessoas.
Os resultados reforçam a necessidade de incluir fatores ambientais na vigilância epidemiológica. Além disso, o grupo iniciou uma nova etapa para avaliar se a restauração de áreas degradadas com espécies nativas da Amazônia pode reduzir, ao longo do tempo, indicadores relacionados à transmissão dessas doenças.
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