Os impactos do El Niño nas eleições nos estados da Amazônia podem aparecer principalmente na agenda de temas que afetam diretamente a população, como seca, abastecimento, navegação, queimadas, agricultura e infraestrutura. O fenômeno foi confirmado no Pacífico em junho de 2026 e os modelos indicam mais de 90% de probabilidade de permanência até pelo menos o início de 2027.
O cenário ganha importância porque o primeiro turno das eleições ocorrerá em 4 de outubro, durante o período de estiagem na região. Caso haja segundo turno, a votação será em 25 de outubro.
Segundo o CEMADEN, a previsão para setembro, outubro e novembro aponta chuvas abaixo da média em áreas da Amazônia Legal, incluindo Amazonas, Acre, Pará, Amapá, Roraima e norte de Mato Grosso. Além disso, temperaturas acima da média podem prolongar a estação seca, reduzir a disponibilidade de água e elevar o risco de incêndios florestais.
Rios e infraestrutura entram na pauta
A ANA também alerta para a possibilidade de vazões abaixo da média histórica e níveis críticos dos rios a partir de meados de outubro. O cenário pode afetar a navegação, o abastecimento público e a geração de energia em hidrelétricas como Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, além de Belo Monte e Tucuruí, no Pará.
Por isso, durante a campanha, candidatos podem enfrentar cobranças sobre medidas para garantir água, transporte fluvial, atendimento às comunidades ribeirinhas, prevenção de queimadas e apoio à produção rural.
O impacto do clima, entretanto, não determina o comportamento do eleitor. Os efeitos políticos dependerão das condições locais, da intensidade da estiagem e da forma como governos e candidatos responderem aos problemas enfrentados pela população.
Além disso, o próprio TSE criou uma Sala Nacional de Situação Climática para acompanhar possíveis ocorrências que afetem a realização das eleições, incluindo necessidade de rotas de transporte emergenciais e locais de votação de reserva.
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