Uma investigação da organização Mercy For Animals (MFA) documentou a trituração de pintinhos machos recém-nascidos em um incubatório de grande porte da indústria de ovos na Região Sul do Brasil. Segundo a entidade, cerca de 35 mil animais foram mortos em apenas um dia na unidade, cujo nome não foi divulgado.
Os pintinhos tinham menos de 24 horas de vida e eram separados das fêmeas porque não produzem ovos e, em sistemas convencionais, são considerados pouco adequados para a produção de carne. De acordo com a investigação, os animais eram colocados em máquinas com lâminas rotativas de alta velocidade.
A MFA afirma que a prática pode provocar sofrimento quando a morte não ocorre imediatamente. A organização também registrou o descarte de fêmeas consideradas inadequadas por apresentar deformidades, sangramentos, nascimento prematuro ou excesso em relação à demanda.
Como alternativa, entidades do setor defendem a sexagem in ovo, tecnologia capaz de identificar o sexo do embrião antes da eclosão. No Brasil, a primeira máquina foi instalada em 2025, em um incubatório da Hy-Line, em São Paulo. A tecnologia já avança na Europa, onde países como Alemanha, França, Áustria e Itália adotaram medidas contra a trituração de pintinhos.
No país, projetos de lei discutem a proibição da prática. O tema também ganhou espaço entre consumidores. Pesquisa citada pela Innovate Animal Ag aponta que 73% dos entrevistados brasileiros se sentem desconfortáveis com o abate de pintinhos machos, enquanto 79% demonstram interesse em comprar ovos produzidos com sexagem in ovo.
A MFA informou que pretende encaminhar a investigação ao Ministério Público para avaliação das autoridades competentes.
jornaldamazonia.com / Com informações da Agência Brasil






