Os estados da Amazônia Legal concentram alguns dos maiores desafios ambientais que afetam diretamente a infância, segundo o Painel Crianças e Meio Ambiente, lançado nesta semana pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A plataforma reúne indicadores sobre mudanças climáticas, desmatamento, queimadas, acesso à água, saneamento e vulnerabilidade social, permitindo acompanhar a situação de crianças e adolescentes em todo o país.
Na Amazônia, os dados mostram que milhões de crianças vivem em áreas expostas a queimadas, eventos climáticos extremos e degradação ambiental, fatores que aumentam os riscos de doenças respiratórias, insegurança alimentar e interrupções no acesso à educação. O painel também evidencia desigualdades no acesso à água potável e ao saneamento básico em diversos municípios da região.
A ferramenta disponibiliza informações dos nove estados da Amazônia Legal — Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins — e permite consultas por estado e município, auxiliando gestores públicos na elaboração de políticas voltadas à proteção da infância.
O Painel Crianças e Meio Ambiente busca fortalecer o planejamento de ações para reduzir os impactos da crise climática sobre crianças e adolescentes, especialmente nas regiões mais vulneráveis da Amazônia, onde os efeitos das mudanças ambientais são mais intensos.
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Na análise de qualidade do ar, que investigou o percentual de dias entre 2021 e 2025 em que a concentração de partículas finas superou o recomendado pela OMS, a região Norte demonstrou maior prioridade com 94% dos municípios afetados. A análise aponta que isso se deve, provavelmente, às queimadas.
A região Sudeste se destaca também neste quesito. Embora apenas 39% dos municípios estejam no grupo de maior prioridade, eles concentram 72% da população infantil da região. Nessas cidades, a baixa qualidade do ar, provavelmente, de acordo com análise, está associada ao transporte e a atividades industriais.
Os dados relacionados a eventos climáticos extremos mostram que a região Norte e Sul concentram 91% e 68%, respectivamente, dos municípios de atenção, principalmente se tratando de chuvas intensas.
Infraestrutura Ambiental
Já os indicadores relacionados à infraestrutura ambiental e urbana indicam que as maiores proporções de municípios com alta prioridade estão no Norte (78%) e Nordeste (46%). Segundo a análise do Painel, no Norte, o desafio está associado à dispersão geográfica e à dificuldade de expansão de redes em território de baixa densidade. Já no Nordeste, soma-se a escassez hídrica e a menor capacidade financeira dos municípios para investimento em infraestrutura.
Entre os dados relacionados ao ambiente escolar, Nordeste (52%) e Sudeste (39%) lideram a prioridade de espaços escolares sem qualquer área verde.
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