O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu às críticas do governo dos Estados Unidos ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro e reforçou que o país não aceitará mudanças impostas de fora. A declaração foi feita nesta quinta-feira durante agenda oficial em Salvador, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A manifestação ocorre após um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos apontar o Pix como uma possível barreira ao comércio internacional, sob o argumento de que o modelo adotado no Brasil poderia prejudicar empresas estrangeiras do setor de pagamentos.
Lula reforça soberania sobre o Pix
Em tom enfático, Lula destacou que o sistema é uma ferramenta nacional e que continuará sendo desenvolvido conforme os interesses do país.
“O Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, afirmou. O presidente também ressaltou que o foco do governo é aprimorar a ferramenta para ampliar o atendimento à população.
A fala foi incluída no discurso após sugestão do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, durante visita às obras do VLT na capital baiana.
Relatório dos EUA critica modelo brasileiro
No documento, o órgão norte-americano aponta o que classificou como “tratamento preferencial” ao Pix, destacando o papel do Banco Central do Brasil na criação, operação e regulação do sistema.
Segundo o relatório, esse modelo poderia dificultar a atuação de empresas internacionais de pagamentos eletrônicos no país.
Além do Pix, o texto também faz críticas a políticas comerciais brasileiras, como a chamada “taxa das blusinhas” — tributação aplicada a encomendas internacionais — e a propostas de regulação do mercado digital, incluindo iniciativas envolvendo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
Governo destaca autonomia econômica
Durante a agenda, Lula aproveitou para reforçar a defesa da autonomia tecnológica e econômica do Brasil diante de pressões externas. A declaração ocorre em meio a um cenário de maior tensão comercial entre os dois países.
Já Geraldo Alckmin afirmou que as iniciativas regulatórias brasileiras no ambiente digital são pontuais e têm foco específico, como a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.
Ferramenta estratégica
Criado pelo Banco Central, o Pix se consolidou como um dos principais meios de pagamento do país, com ampla adesão da população e impacto direto na inclusão financeira.
Para o governo brasileiro, o sistema é considerado estratégico não apenas pela praticidade, mas também por representar avanço tecnológico e maior independência no setor financeiro.
A posição do Palácio do Planalto indica que eventuais críticas internacionais não devem alterar o funcionamento da ferramenta, que segue como prioridade na política econômica e digital do país.
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