A diversidade de peixes encontrados nas mesas dos amazonenses tem relação com as características dos rios da região. Essa é uma das conclusões apresentadas pelo gastrônomo Thiago Loeser, criador do projeto Odisseia Gourmet, que pesquisa a relação entre ambiente, biodiversidade e alimentação na Amazônia.
Segundo Loeser, os diferentes tipos de água influenciam os ambientes e os recursos disponíveis para as comunidades. Os rios de água branca, como o Solimões, carregam sedimentos e nutrientes e favorecem espécies como o tambaqui. Já o Rio Negro, de águas pretas, possui alta biodiversidade e abriga espécies importantes para a pesca e o aquarismo.
No entanto, a ciência aponta que essa relação não é tão direta. O pesquisador Edinbergh Caldas de Oliveira explica que muitos peixes circulam por diferentes ambientes durante o ciclo de vida. Espécies como tambaqui, jaraqui e grandes bagres percorrem rios, lagos, várzeas e igapós para se alimentar e reproduzir.
Além disso, fatores como cheias, secas, disponibilidade de alimentos e características dos habitats também influenciam a distribuição dos peixes.
Por isso, gastronomia e ciência reforçam a importância da conservação dos rios. O manejo comunitário, a pesca sustentável, a fiscalização e a proteção dos corredores ecológicos são fundamentais para preservar a biodiversidade e garantir os recursos que chegam à mesa das populações amazônicas.
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