O inverno no Hemisfério Sul começa oficialmente às 5h25 deste domingo (21), mas os brasileiros devem sentir uma estação menos rigorosa do que o habitual. A influência do fenômeno El Niño deve reduzir a intensidade e a duração das ondas de frio nos próximos meses, além de alterar o regime de chuvas em diversas regiões do país.
A previsão é da consultoria meteorológica Nottus, que divulgou nesta quinta-feira (18) um estudo sobre os impactos do fenômeno climático no Brasil durante o inverno de 2026.
O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas da região equatorial do Oceano Pacífico. A condição foi confirmada na última semana pela Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa).
Segundo o meteorologista e sócio-diretor da Nottus, Alexandre Nascimento, o inverno deve começar com temperaturas mais baixas, mas os efeitos do fenômeno tendem a impedir períodos prolongados de frio intenso, especialmente a partir de agosto.
“Os efeitos do El Niño devem frear as baixíssimas temperaturas neste ano. O frio vai ocorrer, mas em eventos mais curtos e menos persistentes”, explica.
Mais chuva no Sul e seca no Norte e Nordeste
A principal característica da estação será a mudança na distribuição das chuvas pelo país. A Região Sul deve registrar precipitações acima da média histórica, enquanto Norte e Nordeste terão períodos mais secos e menor volume de chuva, aumentando o risco de estiagens.
O estudo também aponta que a combinação entre tempo seco e ventos do Norte favorecerá a elevação gradual das temperaturas na segunda metade do inverno, criando a sensação de uma estação mais amena.
Em algumas áreas do Centro-Oeste e do interior do país, há possibilidade de ocorrência de veranicos — períodos de calor e baixa umidade em pleno inverno.
Ondas de calor podem surgir a partir de agosto
Para julho, a previsão indica chuvas acima da média em áreas do Sudeste e Centro-Oeste, além do interior da Região Sul.
Já em agosto, os maiores volumes de chuva devem se concentrar no extremo Norte, na faixa leste do Nordeste e no Sul do país. Ao mesmo tempo, regiões de Minas Gerais, Goiás e o interior nordestino entrarão gradualmente no período mais seco do ano.
De acordo com Alexandre Nascimento, a partir de agosto podem surgir as primeiras ondas de calor em áreas do interior do Brasil.
Em setembro, a tendência é de aumento das chuvas na Região Sul, enquanto o Nordeste deverá registrar precipitações abaixo da média, principalmente nas faixas leste e norte.
Apesar da previsão de mais chuva no Sul, a consultoria não identifica, neste momento, risco de eventos extremos semelhantes às enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
Possibilidade de “Super El Niño”
A preocupação dos meteorologistas está voltada para os próximos meses. Com base em projeções da Noaa, há grande probabilidade de que o El Niño ganhe força entre setembro deste ano e fevereiro de 2027.
Caso a temperatura das águas do Pacífico ultrapasse 2,5°C acima da média, o fenômeno poderá ser classificado como um “Super El Niño”, condição associada a eventos climáticos mais intensos.
Diante desse cenário, o governo federal criou uma Sala de Situação Interministerial para monitorar os possíveis impactos e coordenar ações preventivas.
Efeitos podem atingir o setor elétrico
Além das mudanças climáticas, o El Niño também pode afetar o sistema elétrico brasileiro, fortemente dependente da geração hidrelétrica.
Segundo a Nottus, o fenômeno pode trazer benefícios para o abastecimento de energia em 2026, devido ao aumento das chuvas no Sul e em parte do Sudeste, regiões importantes para os reservatórios.
No entanto, para 2027, a perspectiva é mais preocupante. A combinação entre ondas de calor, maior consumo de energia e redução das chuvas no Norte e Nordeste pode pressionar o sistema elétrico nacional.
“A preocupação é que o aumento das temperaturas eleve a demanda por energia justamente em um período de menor disponibilidade hídrica em algumas regiões do país”, alerta o meteorologista.
jornaldamazonia.com







