El Niño deve deixar inverno mais quente e aumentar risco de seca no Norte e Nordeste

Fenômeno terá efeitos diversos sobre setor elétrico
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O inverno no Hemisfério Sul começa oficialmente às 5h25 deste domingo (21), mas os brasileiros devem sentir uma estação menos rigorosa do que o habitual. A influência do fenômeno El Niño deve reduzir a intensidade e a duração das ondas de frio nos próximos meses, além de alterar o regime de chuvas em diversas regiões do país.

A previsão é da consultoria meteorológica Nottus, que divulgou nesta quinta-feira (18) um estudo sobre os impactos do fenômeno climático no Brasil durante o inverno de 2026.

O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas da região equatorial do Oceano Pacífico. A condição foi confirmada na última semana pela Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa).

Segundo o meteorologista e sócio-diretor da Nottus, Alexandre Nascimento, o inverno deve começar com temperaturas mais baixas, mas os efeitos do fenômeno tendem a impedir períodos prolongados de frio intenso, especialmente a partir de agosto.

“Os efeitos do El Niño devem frear as baixíssimas temperaturas neste ano. O frio vai ocorrer, mas em eventos mais curtos e menos persistentes”, explica.

Mais chuva no Sul e seca no Norte e Nordeste

A principal característica da estação será a mudança na distribuição das chuvas pelo país. A Região Sul deve registrar precipitações acima da média histórica, enquanto Norte e Nordeste terão períodos mais secos e menor volume de chuva, aumentando o risco de estiagens.

O estudo também aponta que a combinação entre tempo seco e ventos do Norte favorecerá a elevação gradual das temperaturas na segunda metade do inverno, criando a sensação de uma estação mais amena.

Em algumas áreas do Centro-Oeste e do interior do país, há possibilidade de ocorrência de veranicos — períodos de calor e baixa umidade em pleno inverno.

Ondas de calor podem surgir a partir de agosto

Para julho, a previsão indica chuvas acima da média em áreas do Sudeste e Centro-Oeste, além do interior da Região Sul.

Já em agosto, os maiores volumes de chuva devem se concentrar no extremo Norte, na faixa leste do Nordeste e no Sul do país. Ao mesmo tempo, regiões de Minas Gerais, Goiás e o interior nordestino entrarão gradualmente no período mais seco do ano.

De acordo com Alexandre Nascimento, a partir de agosto podem surgir as primeiras ondas de calor em áreas do interior do Brasil.

Em setembro, a tendência é de aumento das chuvas na Região Sul, enquanto o Nordeste deverá registrar precipitações abaixo da média, principalmente nas faixas leste e norte.

Apesar da previsão de mais chuva no Sul, a consultoria não identifica, neste momento, risco de eventos extremos semelhantes às enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.

Possibilidade de “Super El Niño”

A preocupação dos meteorologistas está voltada para os próximos meses. Com base em projeções da Noaa, há grande probabilidade de que o El Niño ganhe força entre setembro deste ano e fevereiro de 2027.

Caso a temperatura das águas do Pacífico ultrapasse 2,5°C acima da média, o fenômeno poderá ser classificado como um “Super El Niño”, condição associada a eventos climáticos mais intensos.

Diante desse cenário, o governo federal criou uma Sala de Situação Interministerial para monitorar os possíveis impactos e coordenar ações preventivas.

Efeitos podem atingir o setor elétrico

Além das mudanças climáticas, o El Niño também pode afetar o sistema elétrico brasileiro, fortemente dependente da geração hidrelétrica.

Segundo a Nottus, o fenômeno pode trazer benefícios para o abastecimento de energia em 2026, devido ao aumento das chuvas no Sul e em parte do Sudeste, regiões importantes para os reservatórios.

No entanto, para 2027, a perspectiva é mais preocupante. A combinação entre ondas de calor, maior consumo de energia e redução das chuvas no Norte e Nordeste pode pressionar o sistema elétrico nacional.

“A preocupação é que o aumento das temperaturas eleve a demanda por energia justamente em um período de menor disponibilidade hídrica em algumas regiões do país”, alerta o meteorologista.

jornaldamazonia.com

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