O número de indígenas assassinados e mais violência nas terras deles aumentou no Brasil em 2025. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), 258 indígenas foram mortos, contra 211 em 2024. Roraima liderou, com 82 assassinatos, seguido pelo Amazonas, com 47. Mato Grosso do Sul registrou 37 casos.
A situação preocupa especialmente na Amazônia. O Censo 2022 mostra que a Amazônia Legal concentra 51,2% da população indígena brasileira, com destaque para o Amazonas, que reúne cerca de 491 mil indígenas, a maior população entre os estados.
Além dos assassinatos, o relatório aponta 1.276 registros de violência contra o patrimônio indígena em 2025. Entre eles estão invasões, exploração ilegal de recursos naturais e conflitos territoriais. Também foram contabilizados 215 suicídios, sendo Amazonas (77), Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (37) os estados com mais ocorrências.
Outro dado grave envolve a infância. Ao todo, 1.024 crianças indígenas de até quatro anos morreram em 2025. Amazonas teve 306 mortes, Roraima, 158, e Mato Grosso, 123. Mais da metade dos óbitos, 586 casos, ocorreu por causas consideradas evitáveis, como doenças respiratórias, infecções intestinais e desnutrição.
O Cimi relaciona o cenário à continuidade dos conflitos territoriais, invasões e demora na regularização de terras. O relatório também alerta para os impactos do garimpo, da exploração de recursos naturais e de grandes obras sobre os territórios indígenas.
Os números reforçam, portanto, que a violência contra os povos indígenas na Amazônia não se limita aos assassinatos. Ela também aparece na saúde, na proteção territorial e no acesso a direitos básicos.
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