Uma batalha na Justiça envolve ribeirinhos da comunidade Santo Antônio e o casal Robert e Beatriz Augusta Ritzenthaler, em um conflito que se arrasta há mais de uma década dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, no Amazonas. A comunidade fica a cerca de 100 quilômetros de Manaus e reúne 11 famílias.
O casal, ligado à organização missionária Global Thinkers Now Brasil (GTN), chegou ao local com a proposta de desenvolver ações sociais e religiosas. No entanto, segundo os moradores, promessas relacionadas à construção de escola e posto de saúde não foram cumpridas. Com o passar dos anos, o conflito aumentou e chegou à Justiça.
Em abril de 2026, a Justiça de Novo Airão concedeu uma liminar que impede novas construções ou intervenções na área ocupada pelo casal e pela ONG. A decisão também determina que os envolvidos não restrinjam o acesso dos moradores às áreas de uso comunitário, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 150 mil.
Além disso, o Estado do Amazonas e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) moveram uma ação civil pública que pede a retirada definitiva dos ocupantes da unidade de conservação, a reversão das construções e indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos e ambientais. A decisão final, porém, ainda depende do andamento do processo e do direito de defesa dos réus.
O Ministério Público do Amazonas também denunciou o casal e o ex-presidente da Associação de Produtores Agrícolas da Comunidade Santo Antônio (APCSA) por crime ambiental relacionado à intervenção em mais de 4 mil metros quadrados de floresta. Os acusados recusaram um acordo proposto pelo MP.
A Defensoria Pública do Amazonas acompanha o caso e identificou possíveis violações de direitos coletivos, incluindo questões relacionadas ao território e à consulta prévia da comunidade.
jornaldamazonia.com / Com informações da Agência Amazônia Real






